Ontem um político me abordou na rua... presidente há doze anos de um partido... PR-sei-lá-o-quê !... (incrível como estas "autoridades" ficam assessíveis nesta época !)...Enquanto me acompanhava o homem dizia que estava saindo candidato a deputado... e que "atendia" em média doze pessoas em seu gabinete a cada manhã:
"- São muletas, cestas básicas, uma conta de água, um aluguel... - continuava ele em uma distorcida visão das suas obrigações - com a verba de gabinete que um deputado tem hoje em dia... só não faz um "social" se não quer..."
Diante do meu olhar incrédulo de quem tentava entender se o homem estava sendo honesto em pensar que aquilo era o seu dever ele continuava:
"- Se você compra o voto... você não pode cobrar... está claro que se você contrata alguém para trabalhar na campanha você cobre o trabalho... mas o voto... tem quem faz... tudo bem..."
"- tudo bem não - interrompi - Crime eleitoral !... (dei um sorriso para aliviar o clima de discussão)ele ficou confuso... não sabia que eu não estava do lado dele, acho que não sabia mesmo que estava errado. Ele pensava realmente que a verba de gabinete tinha como destino certo o assistencialismo...
"e por que não o assistencialismo eleitoreiro ?""- Mas se os deputados não ajudarem o povo... há tanta gente precisando...
"Nós precisamos na verdade é que os homens (ou mulheres) que elegemos se empenhem em redigir e aprovar leis que organizem uma estrutura mais justa. Nós realmente precisamos deles fazendo leis, não distribuindo cestas básicas a alguns pobres-coitados que fazem a romaria dos gabinetes."
Não consegui explicar isso ao nosso confuso político... ou se expliquei tenho certeza de que ele não entendeu. Aquele homem não tinha alcance. Os deputados fazem parte do poder legislativo. São representantes eleitos para captarem os anseios da população e transformar estes anseios em regras que ordenem a nossa sociedade a fim de reequilibrar o dinheiro (de todo mundo) e o trabalho (de todo mundo) de forma a assegurar o desenvolvimento. É uma missão importante e delicada, pressupõe redistribuir vantagens a grupos sociais... aprovado um subsídio a uma categoria algum imposto de outra deve ser majorado... ou o déficit aumenta... por exemplo. Não vivemos em uma monarquia absolutista... já evoluímos desta fase para um poder dividido em três. Em nossa sociedade quem faz as leis não as aplica administrativamente nem julga os conflitos particulares... mas cada poder precisa desempenhar bem a sua parte para que as coisas funcionem... os nossos legisladores precisam conhecer a importância do trabalho deles.... e nós precisamos saber que estamos elegendo gente que precisa ter consciência desta missão, capacidade de desempenhá-la e boas intenções... de nada adianta um vilão inteligente... nem um bobão bem intencionado.
Gostaria que os políticos conseguissem imaginar um Brasil sem filas de desgraçados nas portas dos gabinetes... e perseguissem este objetivo. Será que nós conseguimos imaginar (e encontrar) políticos com toda esta imaginação ?
"- São muletas, cestas básicas, uma conta de água, um aluguel... - continuava ele em uma distorcida visão das suas obrigações - com a verba de gabinete que um deputado tem hoje em dia... só não faz um "social" se não quer..."
Diante do meu olhar incrédulo de quem tentava entender se o homem estava sendo honesto em pensar que aquilo era o seu dever ele continuava:
"- Se você compra o voto... você não pode cobrar... está claro que se você contrata alguém para trabalhar na campanha você cobre o trabalho... mas o voto... tem quem faz... tudo bem..."
"- tudo bem não - interrompi - Crime eleitoral !... (dei um sorriso para aliviar o clima de discussão)ele ficou confuso... não sabia que eu não estava do lado dele, acho que não sabia mesmo que estava errado. Ele pensava realmente que a verba de gabinete tinha como destino certo o assistencialismo...
"e por que não o assistencialismo eleitoreiro ?""- Mas se os deputados não ajudarem o povo... há tanta gente precisando...
"Nós precisamos na verdade é que os homens (ou mulheres) que elegemos se empenhem em redigir e aprovar leis que organizem uma estrutura mais justa. Nós realmente precisamos deles fazendo leis, não distribuindo cestas básicas a alguns pobres-coitados que fazem a romaria dos gabinetes."
Não consegui explicar isso ao nosso confuso político... ou se expliquei tenho certeza de que ele não entendeu. Aquele homem não tinha alcance. Os deputados fazem parte do poder legislativo. São representantes eleitos para captarem os anseios da população e transformar estes anseios em regras que ordenem a nossa sociedade a fim de reequilibrar o dinheiro (de todo mundo) e o trabalho (de todo mundo) de forma a assegurar o desenvolvimento. É uma missão importante e delicada, pressupõe redistribuir vantagens a grupos sociais... aprovado um subsídio a uma categoria algum imposto de outra deve ser majorado... ou o déficit aumenta... por exemplo. Não vivemos em uma monarquia absolutista... já evoluímos desta fase para um poder dividido em três. Em nossa sociedade quem faz as leis não as aplica administrativamente nem julga os conflitos particulares... mas cada poder precisa desempenhar bem a sua parte para que as coisas funcionem... os nossos legisladores precisam conhecer a importância do trabalho deles.... e nós precisamos saber que estamos elegendo gente que precisa ter consciência desta missão, capacidade de desempenhá-la e boas intenções... de nada adianta um vilão inteligente... nem um bobão bem intencionado.
Gostaria que os políticos conseguissem imaginar um Brasil sem filas de desgraçados nas portas dos gabinetes... e perseguissem este objetivo. Será que nós conseguimos imaginar (e encontrar) políticos com toda esta imaginação ?

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